O que é a Radiocirurgia?

A Radiocirurgia é um tratamento de alta precisão, não invasivo, e realizado sem necessidade de internamento hospitalar

Conforme a situação pode ser realizado numa única sessão de ou repartido por várias fracções de tratamento.

Este tratamento consiste em fazer convergir na área da lesão a tratar múltiplos feixes de Raio X, tendo a possibilidade através de poderosos sistemas de cálculo computorizado evitar que as estruturas normais circundantes sejam lesadas.

A precisão desta técnica torna-a especialmente indicada no tratamento de lesões de reduzidas dimensões e que se apresentem junto a estruturas nobres, tais como os nervos ópticos, o tronco cerebral ou o ouvido interno entre outros, e que poderiam ser consideradas inoperáveis ou de elevado risco cirúrgico através de meios convencionais.

Trata-se de uma técnica que pode em certos casos funcionar como um complemento, e noutros como a única alternativa á cirurgia convencional.

A radiocirurgia está clinicamente provada?

Este tratamento está autorizado em muitos países entre eles Portugal, estando a ser utilizado nos Estados Unidos da América após a aprovação pelo FDA ( Food and Drug Administration) há mais de 30 anos, existindo actualmente em todo o mundo dezenas de milhares de doentes tratados com esta forma de tratamento.

O que torna a Radiocirurgia uma técnica de eleição?

A Radiocirurgia é completamente indolor pelo não necessita de anestesia.

O risco de complicações é muito baixo quando comparado com o da cirurgia convencional.

O tempo de excução do tratamento é curto (aproximadamente 50 minutos), podendo o doente retomar rapidamente a sua actividade normal em virtude de não requerer internamento hospitalar.

Quem é candidato a efectuar este tratamento?

Embora o nº de situações para tratamento seja vasto, a indicação para a realização do mesmo surge após avaliação médica multidisciplinar.

Normalmente a Radiocirurgia é a opção terapêutica de escolha em lesões ou tumores inoperáveis, bem como em lesões que permanecem ou reaparecem após cirurgia convencional.

Também a opção por este tratamento é a escolhida quando o doente não pode, ou não pretende ser submetido a uma operação.

Algumas das situações mais frequentes de tratamento de radiocirurgia são as malformações artério-venosas (MAV), meningiomas, neurinomas do acústico, e tumores do sistema nervoso central (primitivos e metástases).

Alterações funcionais como a nevralgia do trigémio são também tratadas com esta modalidade terapêutica.

Quais os passos necessários á realização da Radiocirurgia?

Para a realização deste tratamento, todos os doentes são previamente avaliados por uma equipa multidisciplinar da clínica quanto á necessidade e indicação desta terapêutica.

No dia do tratamento é colocado um anel estereotáxico no crâneo (para tratamentos únicos), ou uma máscara rígida estereotáxica (para os tratamentos fraccionados).

Ambos os procedimentos são indolores.

È necessária a realização de uma ressonância magnética (RM), uma tomografia computorizada (TC) e conforme as situações uma angiografia digital para completa visualização da lesão e dos órgãos de risco.

Após a realização destes exames a equipa de radiocirurgia constituída por neurocirurgiões, radioterapeutas e físicos de radiações vai planear o tratamento de forma individualizada.

O doente pode comer enquanto aguarda (á excepção das situações em que realiza angiografia digital), e pode estar acompanhado pelos familiares e amigos enquanto aguarda a conclusão do plano de tratamento.

Ao mesmo tempo decorrem testes exaustivos de calibração e controle de qualidade ao acelerador linear e ao microcolimador multilâminas dedicado à realização destes tratamentos.

O tratamento demora entre 40 a 60 minutos, período durante o qual o doente não sente qualquer dor ou desconforto.

Terminado o mesmo, é removido o anel estereotáxico ou a máscara estereotáxica e após um pequeno período de observação o doente pode ter alta.